sábado, 9 de abril de 2011

Há quem não entenda.


Há quem duvide da nossa franqueza, que não entenda nossas conversar irônicas, nossos olhares discretos e tão cheios de palavras.

Há quem não entenda que eu me criei mais contigo do que com meus próprios irmãos, depois nos afastamos e aprendemos a andar sozinhos. Depois voltei e te dei a mão, te ouvi com a maior calma que eu já consegui desenvolver , foi quando você mais precisou de um abraço apertado por perda de um pai, e pode ter certeza meu irmãozinho, que eu senti tudo junto com você.

Há quem julgue nossos atos, nossas musicas, nosso jeito estranho, nossa aparência diferente de quem não quer chamar atenção e nem passar despercebido, como você mesmo fala. Nossas fotografias fazem parte da nossa escrita, nossas musicas fazem parte até do nosso jeito de andar. Eu te carrego comigo, pra alguns é apenas uma foto 3x4 na minha carteira. Mas eu faço parte de ti, como você aprendeu a fazer parte do meu mundo também.

Hoje senti uma falta tua, senti uma solidão no meu sorriso sem o teu do meu lado e me peguei com a duvida de que se tu esta bem ou não aí, nesse teu quarto vazio, com uma xícara de chá na mão.

Há quem não entenda que tu é meu irmão. Que te considero até de sangue, por nossas mães ser nossas segundas mães (madrinhas). Que me preocupo contigo, coisa de irmã mais velha, que penso no que tu anda fazendo nas tardes vazias, se ainda toma chá de hortelã por mim, se aproveita a vida de maneira segura, se faz sempre o que tem vontade.

Posso estar distante de ti, não saber dos teus novos amores, das tuas novas músicas, tuas novas roupas e sentimentos. Mas pode ter certeza que eu sempre vou acompanhar teu crescimento, mesmo que de longe.

Há quem não entenda e nunca entenderá, Irmãozinho.

Naiana Cescon Lemes.
Para Guilherme Cescon Cambruzzi (http://cescongc.blogspot.com/)

sexta-feira, 1 de abril de 2011

A tanto tempo eu espero.



Eu vejo um futuro tão distante de mim. E aos poucos vou tentando voltar pro meu lugar, que agora é aqui. Arrependimento não faz parte dos sentimentos que me habitam. E as decisões que tomei no passado não me fazem ser nem menos nem mais do que sou agora. Não me faz coitada por isso não quero piedade de ninguém.

Eu sei que posso pensar tantas coisas coloridas e imaginar tantas árvores que esperam pelo meu olhar por aí e sorrir, nem que seja só a minha imaginação tentando me salvar.

Aos poucos as coisas vão mudando e eu também faço parte disso. Já não tenho aquela ilusão adolescente, muito menos vontade de suportar aquilo que já não me cabe mais. Não quero perder minha tranquilidade que demorei tanto tempo pra conseguir, por isso às vezes fico em casa e finjo que não tenho vontades.

Já não vejo minhas árvores secas e meu frio a tanto tempo e espero. Espero ansiosamente os dias pra vocês chegarem. E quando isso acontecer ainda vou estar aqui, olhando vocês congelarem isso tudo que me aflige todos os dias e depois evapora - las como se fossem só mais uma coisa insignificante no mundo e então, puxar a coberta até o pescoço e dormir em paz.

Naiana Cescon Lemes.