segunda-feira, 28 de junho de 2010

antes aqui, do que aí!


Pior do que a fala é a escrita. É sempre mais de uma vez!
Se gosto leio até enjoar, se não entendo leio de novo e com atenção, se não acredito releio até que consiga pelo menos mandar pra algum lugar abaixo da garganta.

Não sei quantas vezes reli aquela monossílaba insignificante, bem ali na minha frente. Olhei de novo, li mais uma vez e recusei como se não estivesse lido nada, como se não tivesse me afetando e muito menos me atingido. E olha que eu disse que não iria fingir. Falando assim nem sei se foi indiferença ou fingimento mesmo. Não sei se te disse, mas eu escutei várias vezes, senão foi minha voz foi meu pensamento, só não lembro se o fingimento estava valendo só pra ti ou poderia ser pra mim mesma também.

Eu aqui me sentindo sozinha, tenho quase certeza que tu se sente o mesmo agora. Que tem a mesma vontade de abrir a janela do msn, dar oi simples, pedir como estão as coisas, conversar sobre música, textos ou dos nossos porres passados. Que também tem vontade de receber os telefonemas repentinos nos finais de semana, ou fazê-los. Sei que a minha vontade vem porque outras pessoas também estão sentindo o mesmo. Relembro sozinha nossas conversas, sem falar nada, sem demonstrar, me prendo e ao invés de dizer: eu penso em ti, digo: a gente se fala, até mais.

É insegurança, é medo, é frustração, decepção, angustia, falta de coragem, é desapego, desinteresse, pavor, vontade, imaginação, ilusão, realidade, desejo, é música, é memória. É sempre os infinitos IN na frente das palavras. Como já dizia Raul: é muita estrela pra pouca constelação. As vezes nem cabe, jogo fora algumas coisas, as que consigo, as que não quero mais, as que já cansei de sentir, as que já sei onde vão parar por ter sentido tantas vezes, talvez até decorado. Fico com o que eu ainda não provei com o que eu não sei onde vai dar, a outra face do incerto me atrai!

Às vezes eu sento de cansaço, porque na minha cabeça meu corpo caminha de um lado pro outro. E quando a música me lembra eu troco, não gosto de envolver música com pessoas, é tão individual e presente em mim. Quando me pego com o celular na mão, desligo e desejo que a vontade de ouvir tua voz não volte a me atazanar novamente pelo resto do dia, pelo menos. Quando penso em falar, mudo de assunto. Quando penso, penso e. Mas esse meu só é tão intenso e tão cheio que poderia ser um mais. E aí vem a escrita, sempre tão estranha... não tem como deixar de lado, é meu refúgio: "meu esconderijo meu altar".
Também, pra algum lugar eu tenho que correr né. E convenhamos, antes aqui, do que aí!

Naiana Cescon Lemes

quarta-feira, 23 de junho de 2010

olhos acostumados sempre sabem o que procuram



Faz anos que eu me concentro, que eu me empenho pra que eu possa ter mais calma, ser mais tranqüila. Ser leve, prestar atenção. Conseguir ser clara e ter seriedade quando necessário. Pra saber como agir em momentos como esse e agora parece que eu nunca li nada, que nunca passei por coisas piores do que esse momento: de não saber o que fazer. Parece que nasci ontem com 19 anos e nunca conheci ninguém.

E o tal chá de sumiço? Até agora não vi nenhum sinal dele pelo mundo. Porque tem horas que é  só isso que eu quero, sumir um pouco, dar um tempo pra cabeça. Depois voltar com a cura achada dentro de mim. Às vezes precisa dar uma acalmada nos ânimos pra poder enxergar além de nós.. Dar uma desaparecida, sentir saudade, fazer falta pra alguém.

Estou me limitando aqui. Escrevo e paro. Não gosto disso, o negócio tem que ser espontâneo, não pode ser reprimido. E eu me reavalio nos últimos dias, não sei que direito tenho de dizer que não se deve reprimir se me sinto fazendo isso o dia todo. Não vou dizer que não é questão de não aceitar porque é sim. Mas é estranho aceitar aquilo que nunca foi imaginado. Se eu aceitar eu quebro a cara. Se eu fingir não me adianta nada. Estou deixando. Deixando que isso tudo pelo menos se movimente dentro de mim pra poder sair livremente como sempre fiz, e conseguir parar pra tomar um café e ouvir minha música em paz de manhã cedo.

Tem dias que eu suspiro mais do que o de costume, que olho pra fora da janela do ônibus e me imagino além daquela paisagem que vejo todos os dias. Que olho fixo pra algum lugar, mas a minha mente nunca para, olhos acostumados sempre sabem o que procuram. Sou instável, mudo fácil, eu preciso disso, pra me sentir viva, me sentir livre. Preciso movimentar o que eu posso, já que aqui fora tudo está intacto a anos. Nunca vou esquecer o quanto refleti depois que li pela primeira vez a frase da Caludilene Neves: "nos últimos anos eu mudei os móveis de lugar"

Uma vez tentei mudar. Adorava a boa fala, mas era muito fechada. Tinha uma admiração por bons textos e nem a escrita me saía. Lia meus livros um atrás do outro, escutava minha música, me enchia de café o dia inteiro por me sentir cansada. Vai ver era cansaço mental. Movimentava-me devagar. Falava pouco e escutava menos ainda. Havia criado um mundo ao meu redor que só eu enxergava, havia criado uma Naiana que ninguém conhecia, e que ninguém tinha acesso.

A mudança é meu vício. Eu mudo o que está ao meu alcance.  Depois que mudei uma vez nunca mais parei.  Mas a expressão "seja a mudança que você quer ver no mundo" não daria certo pra mim. Não caberia aqui dentro, como posso fazer as coisas sozinhas? se isso fosse possível meus problemas estariam resolvidos! Não digo que não acredito em um mundo melhor, senão esses sonhos todos dentro de mim nem existiriam. Mas as pessoas não mudam por si só e é preciso mais do que boas atitudes pra mudar. E mudar qualquer coisa.

Uma necessidade? - Mudança.
Uma vez tentei mudar e consegui! Nunca mais fui a mesma!

"posso viajar estando no mesmo lugar, eu posso mudar sendo quem eu sou"

Naiana Cescon Lemes 

domingo, 20 de junho de 2010

realmente uma das tuas melhores



Ainda que dentro de mim as águas apodreçam e se encham de lama e ventos ocasionais depositem peixes mortos pelas margens e todos os avisos se façam presentes nas asas das borboletas e nas folhas dos plátanos que devem estar perdendo folhas lá bem ao sul e ainda que você me sacuda e diga que me ama e que precisa de mim: ainda assim não sentirei o cheiro podre das águas e meus pés não se sujarão na lama e meus olhos não verão as carcaças entreabertas em vermes nas margens, ainda assim eu matarei as borboletas e cuspirei nas folhas amareladas dos plátanos e afastarei você com o gesto mais duro que conseguir e direi duramente que seu amor não me toca nem me comove e que sua precisão de mim não passa de fome e que você me devoraria como eu devoraria você ah se ousássemos.

Caio Fernando Abreu.

terça-feira, 15 de junho de 2010

traumas e estranhezas


Não sei o que me convence mais. Se é meu silêncio que não passa de uma necessidade minha, ou se é minha voz querendo sair porque já não aguenta mais pensar o que não cabe. Porque não fecha com os planos e muito menos com a minha realidade.

Sempre achei isso tudo uma grande irresponsabilidade. Acontece! Mas não deixa de ser. 
Penso em sair daqui e fazer um café, mas me sinto agitada demais. Passei a tarde inteira querendo ouvir Strawberry Swing pra chegar em casa e escutar Balck Crowes no meu rádio, coisa que nunca faço quando chego em casa. Já que não tive fome o dia inteiro não seria naquela hora que irir me dar vontade. Fui dormir um pouco pra pensar menos e acordei com os braços vermelhos e memórias dos sonhos estranhos, as lembranças me invadiram. Tentei fugir mas elas me acharam dormindo e entraram nos meus sonhos.

Olhe bem pra mim!
Estou bem do jeito que eu vivo, não vou negar que me sinto sozinha várias vezes, mas tu acha que eu trocaria minha liberdade por noites de filmes, porres em dupla ou domingos acompanhados? Não é frieza, não me entenda mal. Mas eu teria que ter muito mais além do que isso. Eu teria que primeiramente me imaginar do teu lado, de mãos dadas. Teria que ficar noites perdendo meu sono pensando em ti. Teria que ouvir muita música boa nos embalando. Teria que admirar as tuas atitudes e o teu modo de encarar as coisas. Eu teria que realmente te conhecer. Eu teria que conhecer as tuas fraquezas e mesmo assim continuar te admirando. Eu teria que deixar de lado todos os conceitos que ouvi ao teu respeito, aqueles conceitos conformados pelos outros. Por aqueles que não te conhecem, que só te veem passar. Já te observei muito e não discordo de algumas coisas que as pessoas falam, mas também não posso concordar com tudo porque eu te vejo de uma forma livre, querendo diversão e as vezes precisando de compreensão, e também porque tu ter um papo e um gosto musical excelente!

Não vou ser radical, mas não vou fingir que não quero mais. Eu não preciso fingir. 

Quero aquela coisa sem apego, sem cobrança e espontâneo, como sempre foi. Digo "coisa" porque não sei definir o que é. Não sei e não tenho o menor interesse de saber. Não tenho necessidade de ti. Se "fiquei" do teu lado até agora não é porque preciso, é porque gosto. E vontade e necessidade são praticamente o oposto. Quero as nossas conversas regadas a fumaça e álcool. É disso que me lembro, e é disso que quero lembrar. 

E se o tempo nos afastar,  de repente tu veja que o meu método daria mais certo do que o teu método do tempo. Não sou contra o tempo, mas acho-o muito indeciso e extremista, é sempre muito devagar ou rápido demais. Parece que não existe um meio termo e que ele está sempre contra a nossa vontade. Ele leva a neblina pra longe, não discordo de ti. Mas também afasta, e o que poderia ter ficado também se vai. Tudo porque poderiamos ter sido mais simples e menos grilados. Mas não estou irritada, aceito a tua decisão! Então até que o tempo resolva o que fazer,  vamos ficar aqui: tentando fingir que nada aconteceu, lutando pra esquecer algo que talvez nem existiu. Eu me sentindo estranha e tu traumatizado. Por opção!

Naiana Cescon Lemes 

sábado, 12 de junho de 2010

(in)diretas


Eu tenho intuição, tenho energia pra dar e receber, tenho noção e auto-conhecimento. Sei  o que me falta mas não quero procurar. Não quero me apegar, nem explicar os meus passos, os meu planos ou a minha troca de humor repentina. Não gosto de dependências, não gosto de indiretas. Sei usar o meio termo, só não me façam chegar no ponto de ter que dizer tudo claramente. Acho isso um falta de atenção, uma baita falta de desconfiança.

Desconfiem. Das palavras, das pessoas, dos fatos, das dúvidas, dos sinais. Desconfie, que isso pelo menos te faz prestar mais atenção, te faz ter um olhar observador emcima das coisas. A desconfiança é um pé atrás e o resto na frente, nessa ordem. Segue o teu caminho, tira tuas notas, escuta tua música, toma teu café, te lembra do anjo, faz a telepatia noturna.

Quando vier não esquece da manta, das meias. Do olhar profundo e da segurança. Lembre-se das conversas, da sexta - feria, dos poucos encontros. Meche o teu corpo, só não esquece da mente. Sai de casa, mas lembra de pegar um casaco. Vem aqui deixa eu arrumar a tua gola. Vem buscar o teu cd que está engavetado esperando a tua escuta.

Tenho tempo, mas também tenho pressa.
Não é desisntência minha. Mas não vou obrigar ninguém a ficar aqui. 

Naiana Cescon Lemes 

sexta-feira, 11 de junho de 2010

11 de junho de todos os anos.



Nascida 11 de junho de 1991.

Talvez sejam ciclos, fases ou apenas mais um número acumulado nos documentos... Deve ser o dia em que a gente comemora o nascimento e a paranóia que é viver, que comemora o que se passou durante aquele ano, datas, pessoas. Nunca soube realmente o significado de fazer aniversário. Sempre achei os telefonemas e os abraços que recebi, algo como se as pessoas se sentissem obrigadas a fazer isso, algo que nos devem, talvez por ter alguma ligação, ou laços,  como queiram chamar.

"Agora está ficando velha". Tá certo um ano a mais não vai me transformar numa idosa, mas o que é essa velhice que colocam nas minhas costas todos os anos? E eu aceito isso, em todos os parabéns que recebo e obrigada que retribuo. É conhecimento acumulado ou são apenas os números nos documentos? É isso que eu quero saber, é esse o significado que eu procuro pra todo o dia 11 de junho me sentir bem. Até hoje esse dia não passa de um dia igual a qualquer outro, só que com comidas boas no final da tarde e abraços estranhos, que quase nunca sinto.

Não deixa de ser um dia de aproximações. O aniversário pode ser a desculpa do dia. Afinal de contas estamos sempre arrumando desculpas pra falar com as pessoas, arrumando meios de se comunicar e expressar o que realmente queremos, só que com indiretas. Tá legal, eu aceito as parabenizações, sinto cada uma com sensibilidade. Algumas me comovem, outras só são repetições de tudo que já ouvi em todos esses anos.

Não gosto de dizer meu dia. Ele é de tantas pessoas... Talvez não aniversariantes, mas existem tantas outras sensações melhores do que fazer aniversário. Tantos meios de aproximações e motivos bem melhores pra se aproximar das pessoas. Tantos abraços sinceros que podemos oferecer todos os dias,  e não em um só. Ainda não entendi porque ter dia marcado pra presentes e comidas boas, os parabéns e o "tudo de bom, você merece". Assoprar velhinhas e fazer um pedido. 

Eu desejo...

Eu desejo várias coisas todos os dias, acredito todos os dias. E no dia do meu aniversário eu me distraio com os telefonemas, os abraços e os presentes. Porque não aprendi como agir e receber isso tudo que me fazem apenas uma vez por ano.

Naiana Cescon Lemes 




segunda-feira, 7 de junho de 2010

mudanças


De repente ter outra visão, ter outras pessoas do meu lado. Quero saber distinguir as pessoas. Saber claramente as intenções. Continuar valorizando quem sempre esteve do meu lado e saber afastar com respeito mesmo que sejam aquelas pessoas com más intenções. Ser conveniente com quem precisa e agradável com quem merece. Quero me perguntar e quero eu mesma saber responder minhas grandes dúvidas, quase sempre as mesmas, a tempos e a anos.

Me conheço bem e sei que muita coisa vai mudar. Já vejo (quase) tudo acontecendo. Mas algumas coisas vão permanecer intactas, vou continuar com a minha boa música, com os meus gostos estranhos, meu café de manhã, meu protetor solar todos os dias, minhas meias e músicas pra dormir, cama desarrumada, torrada de pepino e queijo, all star como tênis favorito, bottons, fotos no mural. Mantas e amigdalite no inverno. Violão e chimarrão, talvez com saudade. Meu humor pode melhorar pela manhã, mas ainda quero continuar falando pouco e me colocando no lugar das pessoas.

Sei que vou continuar com a ideia de que as pessoas possam ser notadas sem chamar atenção. Vou me procurar e não sei responder porque não faço isso agora mesmo. Acho que não consigo, tenho um certo receio de que algo não me agrade e eu me perca de vez ou nunca mais me procure a fundo, sem medos e mágoas. Quero ir a essa busca com muita segurança e agora não tenho isso por completo. Tenho minhas incertezas e pé atrás. Quero ter os dois pés na frente e mesmo assim continuar desconfiando, afinal de contas confiança nunca foi meu forte e sei que isso não mudaria assim tão fácil. Sei que isso não muda, mas quero encontrar pessoas em que possa confiar apesar de saber muito bem em quem realmente devemos apostar nossas fichas.

Sei que vão aparecer pessoas sentindo admiração e quero conservar aquelas que já sentem. Talvez nesse tempo eu aprenda a receber elogios e demostrar gratidão ao invés de apenas dizer um obrigada sem jeito. Quero que as pessoas entendam que vou precisar me aproximar de mim pra depois me aproximar delas. Que aceitem minha ausência como algo necessário, que sintam saudade e não afastamento. 

Desejo muito que não vejam as mudanças como algo estranho e distante e sim como algo novo. Eu estou mudando algumas coisas em mim, e não as energias que eu construi até agora. Tenho consciência de até onde eu quero ir, sei os tantos livros que me esperam, os tantos lugares que eu tenho que passar. E as várias pessoas que eu tenho que conhecer.

Estou indo a minha procura.

Naiana Cescon Lemes