sexta-feira, 30 de abril de 2010

eu nem te amo



É estranho como sentia saudades de você quando você levantava da cama ou ficava um pouco longe do meu corpo, porque durmo esparramada. Aqueles segundos que nos separavam aí você voltava para perto e eu pensava que tudo bem. 

O problema não deve ser eu. E eu nem te amo mesmo. Eu só quero ir te visitar porque tenho preguiça de transar com qualquer um e se fico mais de 3 semanas sem sexo começo a arrumar confusão no trânsito.

Sua voz é chata e seu papo então, insuportável. Respiro aliviada e sugo o máximo de você, pra ter a certeza absoluta de que não é você. Não sonhei com você. Não quero passar minha vida ao lado da pessoa mais estranha do mundo. Imagina só ficar grávida de um homem que tem pavor de mulher com enjôo? Imagina só ficar velha ao lado de um homem que tem pavor da vida óbvia, cotidiana e imperfeita? Eu viveria infeliz.

Não é você. E lá vem você me olhar apaixonado e, no segundo seguinte, frio, dizendo que eu não preciso sofrer, nem ir embora e não desistir de você. E eu me digo que não é você. Me despeço, já sem aquela dor aterrorizante, das partes de você que mais amo. Ainda que eu nem te ame mesmo. Ainda que nada disso seja amor. E entro no carro já sem chorar. Os últimos dias chorando por você serviram ao menos para me secar por dentro.

Preciso me aliviar. Mas dou até risada porque acabaram os caminhos. O mundo não suporta mais esse meu não amor por você. E escrever, que sempre foi a única coisa que adiantava para os dias passarem menos absurdos, já se tornou algo ridículo. Escrever sobre você de novo? De novo? Tenho até vergonha. Nem eu suporto mais gostar de você. E olha que nem gosto.

E no meio da noite, quando eu decido que estou ótima afinal de contas tenho uma vida incrível e nem amava mesmo você, eu me lembro de umas coisas de mil anos e começo a amar você de um jeito que, infelizmente, não se parece em nada com pouco amor e não se parece em nada com algo prestes a acabar.

Lembro de você me dando a rolha do nosso primeiro vinho no restaurante, do meu ciúmes ridículo pela Silmara, da sua mania de não sorrir nas fotos.Lembro do cinema, mas não do filme, porque só ficava pensando em você, prestando atenção nas tuas mãos e na tua boca. Lembro da sua jaqueta preta com um sol nas costas e do seu cabelo espetado igual ao sol, do cheiro que você tem bem no centro da nuca, e da leveza que é dormir no seu peito com você cheirando meu cabelo. E lembro da primeira vez que eu te vi e te achei meio feio, vesgo, estranho. Até que você me suspendeu no ar por razão nenhuma eu tive certeza que meu primeiro filho nasceria um pouco feio, vesgo e estranho.

E então, no meio da noite, enquanto eu penso tudo isso, eu pergunto ao mundo todo que não aguenta mais esse assunto. Ao mar, às criancinhas peladas, aos cartazes de filmes, ao passarinho, à vizinha, aos cachorrinhos em meditação, à torta, aos carros, à qualquer um...eu pergunto: por que é que vocês todos estão tão cinza? Por que é que vocês não me ajudam? Por que é que todos vocês também ficam tão tristes quando ele vai embora? Por que é que todos vocês também morrem quando ele vai embora? Por que é que todos vocês também amam ele?

Tati Bernardi

terça-feira, 27 de abril de 2010

talvez nem me falte



Até tentei pensar pra frente, ver o lado "bom" , mas eu não sou uma pessoa que vê coisas boas no que eu  não gosto de fazer. Tenho consciência de que essas obrigações e provações que me colocam pode me trazer benefícios. Mas não me peçam pra amar e sorrir enquanto eu faço isso porque eu acho que não tenho essa capacidade.  

Nem quero pensar nos efeitos que isso tudo pode ou poderia me causar. Tardes regadas a chá, café e fumaça. Perdas de cabelo devido a falta de interesse e de vontade. E mau humor, muito mau humor. Uma vez eu até acordava um pouco mais cedo, mas eu nunca fiz as minhas redações em dia, e também não deixei de tomar o meu café pra acordar e sair dormindo de tanta pressão psicológica colocada numa simples água preta. 

Até me pergunto se eu já olhei pra alguém sem ver a imagem dessa pessoa paralisada e emoldurada. Ou então se já acordei as 7h ou 8h da manhã pra ver a luz do dia que eu ainda não conheço. Eu posso até não ver essas coisas simples que fazem a diferença pra alguns, como acordar pro livre e espontânea vontade pra ter o prazer de ver o sol nascer ou então ter o "conceito" de boa aluna por entregar os trabalhos em dia. 

E agora não é nem questão de ser crítica, sei que vale bem mais a minha escolha, a minha vontade e a minha coragem pra assumir isso tudo que se sente.

Naiana Cescon Lemes  

segunda-feira, 12 de abril de 2010

me devolvam.



Eu tô em primeiro lugar apavorada, em pensar no que ainda me resta pela frente. Pra quem acordou as 6 horas da manhã confiante por ter tudo certo na cabeça. Depois de tanto esforço mental e equilíbrio. Depois de tantas cervejas tomadas pra amenizar as coisas. De horas que eu passei me descabelando na frente de uma folha. De outras que eu fiquei esperando a xerocadora terminar as sempre 16 cópias que eu mandava fazer. 

Até vou repetir o que eu escrevi em outro poste, que depois disso tudo que eu tive que superar digo e repito: serei sempre a que não nasceu pra isso. Meu, são criaturas com só 5 anos de idade que me mostaram que nas horas de descontrole eu só tenho paciência exterior, porque sinceramente eu por dentro estava desabando, me deu até depressão momentânea. 

Eu que nunca gostei de sorrir hoje dive que fazer expressões e falar coisas que eu nunca gostei de fazer. Eu, Naiana que nunca tive que fazer algo por realmente obrigação e sem vontade, fui obrigada pela minha própria capacidade. Não acredito que eu esteja revoltada e desanimada em apenas 1 dia se eu tenho mais 6 meses pela frente. 

Nunca quis tanto ter aula de tarde, provas e trabalhos de aula pra entregar ao me deparar com essa merda de aprovação que eu preciso mostrar pra mim mesma e pros outros. Não posso dizer que sou cética em relação a isso, porque se fosse assim pode ter certeza que eu nem aqui escrevendo estaría, porque eu tô botando tudo pra fora pra ver se eu consigo por algo de bom pra dentro, me aliviar, voltar ao meu normal. 

Quero a minha paz de manhã e de noite. Meu café as 10:30 da manhã. Minhas músicas quando eu acordo. Meu almoço engolido por falta de tempo. A Carol no ônibus. A Isa na escola. Minha água com gás no segundo período. Por favor me devolvam, me quero de volta

Naiana Cescon Lemes